quinta-feira, 23 de outubro de 2014
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Medo não tem fim...
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segunda-feira, 30 de junho de 2014
A popularização do rádio na Copa do Mundo de 1950
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sexta-feira, 13 de junho de 2014
As formigas devem ser extintas
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Da Alemanha para Torres
A IMIGRAÇÃO ALEMÃ
O território do atual município de Torres foi o primeiro a ser cogitado para a colonização alemã do Rio Grande do Sul. Entretanto, só veio a ser aproveitado em terceiro lugar, depois de implantados os focos imigrantistas do vale do rio dos Sinos e da zona das Missões, respectivamente em julho de 1824 e em janeiro de 1825.
O plano do governador José Feliciano Fernandes Pinheiro começou a ser ativado tão logo penetrou na Província para assumir suas altas funções; em viagem a cavalo, a partir de Santa Catarina, atravessou o rio Mampituba em fevereiro de 1824 e já tomou as primeiras providências. Naquele distante verão, o futuro Visconde de São Leopoldo parece haver-se apaixonado pela exuberante natureza de Torres. Encontrou ali uma diligente guarnição militar, formada por uma Milícia Sertaneja, a que conferiu o título de "Presídio", e uma pequena comunidade de descendentes de açorianos; havia ainda uns poucos índios guaranis cristãos, capturados quatro anos antes na guerra contra os castelhanos, e aí aquerenciados. O núcleo contava com uma igreja em construção adiantada (seria inaugurada em 24 de outubro daquele ano) e era atendido por um sacerdote espanhol, o Frei Joaquim Serrano, que era coadjutor da paróquia de Conceição do Arroio (Osório) e capelão de Torres. Os quartéis e umas poucas residências completavam a minúscula localidade implantada na encosta do morro, à beira do mar.
Com as informações colhidas junto ao Cel. Francisco de Paula Soares de Gusmão, comandante das Torres, e ao antigo morador, Alferes Manoel Ferreira Porto, ex-comandante reformado, o presidente da província imaginou estar ali o local indicado para seu projeto de colonização germânica. Mandou logo abrir duas estradas ao longo dos rios Mampituba e Três Forquilhas e levantar uma planta das terras destinadas à colônia. Tinha em mente aproveitar o solo fértil do sopé da Serra, em sua maior parte ainda de propriedades da Coroa. A região poderiar proporcionar uma boa diversificação econômica, já que os campos litorâneos (Estância do Meio, Rincão da Cavalhada, Cerca de Pregos, Curral Falso, etc.) estavam dedicados à criação, ao passo que as terras de matas atrás da lagoa da Itapeva prometiam abundância agrícola. Certamente imaginou a possibilidade das comunicações através do rosário de lagoas do litoral até Osório, e daí até à Capital, por terra, ideia já conhecida dos administradores mais de século antes. Além do mais, a economia colonial seria integrada com aquela resultante da pecuária de Cima da Serra, pelos caminhos a serem abertos.
O governo de Fernandes Pinheiro foi curto, de apenas dois anos, porém em nenhum momento abandonou seu plano torrense. Mesmo quando, por motivos práticos, decidiu-se a começar a colonização alemã em São Leopoldo e, por razões estratégicas, a prossegui-la nas Missões – continuou sempre a figurar na correspondência oficial a sua sonhada Colônia Alemã das Torres. Ainda no momento de deixar o governo da Província, na quase véspera de sua saída, em janeiro de 1826, o Visconde fez expressas recomendações, determinando separar os mais recentes imigrantes chegados à São Leopoldo para serem remetidos à Torres.
Houve protelações da administração subsequente, mas Fernandes Pinheiro continuou insistindo, agora como Ministro do Império. Em maio, enviou do Rio ao novo governador instruções enérgicas sobre o assunto. O presidente da Província fez uma visita à São Leopoldo em julho e mandou fazer listas dos candidatos à nova colônia. Foram contempladas as famílias e os solteiros que ainda não tinham recebido lotes de terra ("datas") ou que não tinham gostado dos que lhes haviam sido concedidos do outro lado do rio dos Sinos.
Só em novembro de 1826 é que os colonos chegaram à Torres. Viajaram em cinco barcos, descendo o rio dos Sinos e o Guaíba, depois seguindo pela lagoa dos Patos e subindo o rio Capivari; daí continuaram em carretas pelo campo e pela praia. O Cel. Soares de Gusmão (entrementes nomeado Inspetor da Colônia) recebeu-os em Torres. Eram 422 pessoas. De acordo com os planos, os católicos foram colocados perto da estrada do rio Mampituba, de modo a ficarem mais próximos da sede do Presídio para terem assistência religiosa, médica e farmacêutica; quanto aos protestantes, receberam terras nas margens do rio Três Forquilhas, onde também foram localizados o pastor evangélico Carlos Leopoldo Voges, chegado logo depois, e um médico, o Dr. Jorge Zinkgraf.
Tais foram os difíceis começos daquela gente, cujos descendentes loiros e de olhos azuis, topamos ao longo da BR101 quando passamos de Terra da Areia em demanda à cidade balneária de Torres.
Ruy Ruben Ruschel
Extraído do livro de "São Domingos das Torres" – publicado em 1984
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terça-feira, 11 de março de 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
O índio da Praia Grande
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segunda-feira, 16 de setembro de 2013
2014 vem aí!
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sexta-feira, 30 de agosto de 2013
O porto que não saiu [Ainda bem!]
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sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Mediocridade não tem fim...
Copiado do blog "No Mundo da Lua News"
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segunda-feira, 29 de julho de 2013
Você mexeria na caça dos leões enquanto eles a comem?
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quarta-feira, 26 de junho de 2013
"O único que tá botando a boca no trombone é o Romário!" Anônimo
segunda-feira, 1 de abril de 2013
segunda-feira, 18 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
Fuga de Damasco
(...) Com júbilo indefinível abraçou o velho Ananias,
pondo-o ao corrente de suas edificações espirituais. O respeitável ancião
retribuiu-lhe o carinho com imensa bondade. Dessa vez, o ex-rabino não precisou
insular-se numa pensão entre desconhecidos, porque os irmãos do “Caminho” lhe
ofereceram franca e amorosa hospitalidade. Diariamente, repetia a emoção
confortadora da primeira reunião a que comparecera, antes de recolher-se ao
deserto. A pequena assembleia fraternal congregava-se todas as noites, trocando
ideias novas sobre os ensinamentos do Cristo, comentando os acontecimentos
mundanos à luz do Evangelho, permutando objetivos e conclusões. Saulo foi
informado de todas as novidades atinentes à doutrina, experimentando os
primeiros efeitos do choque entre os judeus e os amigos do Cristo, a propósito
da circuncisão. Seu temperamento apaixonado percebeu a extensão da tarefa que
lhe estava reservada. Os fariseus formalistas, da sinagoga, não mais se
insurgiam contra as atividades do “Caminho”, desde que o seguidor de Jesus
fosse, antes de tudo, fiel observador dos princípios de Moisés. Somente Ananias
e alguns poucos perceberam a sutileza dos casuístas que provocavam
deliberadamente a confusão em todos os setores, atrasando a marcha vitoriosa da
Boa Nova redentora. O ex-doutor da Lei reconheceu que, na sua ausência, o
processo de perseguição tomara-se mais perigoso e mais imperceptível,
porquanto, às características cruéis, mas francas, do movimento inicial,
sucediam as manifestações de hipocrisia farisaica, que, a pretexto de
contemporização e benignidade, mergulhariam a personalidade de Jesus e a
grandeza de suas lições divinas em criminoso e deliberado olvido. Coerente com
as novas disposições do foro íntimo, não pretendia voltar à sinagoga de
Damasco, para não parecer um mestre pretensioso a pugnar pela salvação de
outrem, antes de cuidar do aperfeiçoamento próprio; mas, diante do que via e
coligia com alto senso psicológico, compreendeu que era útil arrostar todas as
consequências e demonstrar as disparidades do formalismo farisaico com o
Evangelho: o que era a circuncisão e o que era a nova fé. Expondo a
Ananias o projeto de fomentar a discussão em torno do assunto, o velhinho
generoso estimulou-lhe os propósitos de restabelecer a verdade em seus
legítimos fundamentos.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
O Mapa do Tesouro
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Um ouvido para a acusação e outro para a defesa
(...) Irritados com o êxito inexcedível do empreendimento de Paulo de Tarso, que se demorava na cidade já por um ano e seis meses, tendo fundado um verdadeiro e perfeito abrigo para os “filhos do Calvário”, os judeus de Corinto tramaram um movimento terrível de perseguição ao Apóstolo. A sinagoga esvaziava-se. Era necessário extinguir a causa do seu desprestígio social. O ex-rabino de Jerusalém pagaria muito caro a audácia da propaganda do Messias Nazareno em detrimento de Moisés.
Era procônsul da Acaia, com residência em Corinto, um romano generoso e ilustre, que costumava agir sempre de acordo com a justiça, em sua vida pública. Irmão de Sêneca, Júnio Gálio era homem de grande bondade e fina educação. O processo iniciado contra o ex-rabino foi às suas mãos, sem que Paulo tivesse a mínima notícia e era tão grande a bagagem de acusações levantadas pelos israelitas, que o administrador foi compelido a determinar a prisão do Apóstolo para o inquérito inicial. A sinagoga pediu, com particular empenho, que lhe fosse delegada a tarefa de conduzir o acusado ao tribunal. Longe de conhecer o móvel do pedido, o procônsul concedeu a permissão necessária, determinando o comparecimento dos interessados à audiência pública do dia seguinte.
De posse da ordem, os israelitas mais exaltados deliberaram prender Paulo na véspera, num momento em que o fato pudesse escandalizar toda a comunidade.
À noite, justamente quando o ex-rabino comentava o Evangelho, tomado de profundas inspirações, o grupo armado parou à porta, destacando-se alguns judeus mais eminentes que se dirigiram ao interior.
Paulo ouviu a voz de prisão, com extrema serenidade. Outro tanto, porém, não aconteceu com a assembleia. Houve grande tumulto no recinto. Alguns moços mais exaltados apagaram as tochas, mas o Apóstolo valoroso, num apelo solene e comovedor, bradou alto:
– Irmãos, acaso quereis o Cristo sem testemunho?
A pergunta ressoou no ambiente, contendo todos os ânimos. Sempre sereno, o ex-rabino ordenou que acendessem as luzes e, estendendo os pulsos para os judeus admirados, disse com acento inesquecível:
– Estou pronto!...
Um componente do grupo, despeitado com aquela superioridade espiritual, avançou e deu-lhe com os açoites em pleno rosto.
Alguns cristãos protestaram, os portadores da ordem de Gálio revidaram com aspereza, mas o prisioneiro, sem demonstrar a mais leve revolta, clamou em voz mais alta:
– Irmãos, regozijemo-nos em Cristo Jesus. Estejamos tranquilos e jubilosos porque o Senhor nos julgou dignos!...
Grande serenidade estabeleceu-se, então, na assembleia. Várias mulheres soluçavam baixinho. Áquila e a esposa dirigiram ao Apóstolo um inolvidável olhar e a pequena caravana demandou o cárcere, na sombra da noite. Atirado ao fundo de uma enxovia úmida, Paulo foi atado ao tronco do suplício e houve de suportar a flagelação dos trinta e nove açoites. Ele próprio estava surpreendido. Sublime paz banhava-lhe o coração de brandos consolos. Não obstante sentir-se sozinho, entre perseguidores cruéis, experimentava nova confiança no Cristo. Nessas disposições, não lhe doíam as vergastadas impiedosas; debalde os verdugos espicaçavam-lhe o espírito ardente, com insultos e ironias. Na prova rude e dolorosa, compreendeu, alegremente, que havia atingido a região de paz divina, no mundo interior, que Deus concede a seus filhos depois das lutas acerbas e incessantes por eles mantidas na conquista de si mesmos. De outras vezes, o amor pela justiça o conduzira a situações apaixonadas, a desejos mal contidos, a polêmicas ríspidas; mas ali, enfrentando os açoites que lhe caíam nos ombros seminus, abrindo sulcos sangrentos, tinha uma lembrança mais viva do Cristo, a impressão de estar chegando aos seus braços misericordiosos, depois de caminhadas terríveis e ásperas, desde a hora em que havia caído às portas de Damasco, sob uma tempestade de lágrimas e trevas. Submerso em pensamentos sublimes, Paulo de Tarso sentiu o seu primeiro grande êxtase. Não mais ouviu os sarcasmos dos algozes inflexíveis, sentiu que sua alma dilatava-se ao infinito, experimentando sagradas emoções de indefinível ventura. Brando sono lhe anestesiou o coração e, somente pela madrugada, voltou a si do caricioso descanso. O sol visitava-o alegre, através das grades. O valoroso discípulo do Evangelho levantou-se bem disposto, recompôs as vestes e esperou pacientemente.
Só depois do meio-dia, três soldados desceram ao cárcere das disciplinas judaicas, retirando o prisioneiro para conduzi-lo à presença do procônsul.
Paulo compareceu à barra do tribunal, com imensa serenidade. O recinto estava cheio de israelitas exaltados; mas o Apóstolo, notou que a assembleia se compunha, na maioria, de gregos de fisionomia simpática, muitos deles seus conhecidos pessoais dos trabalhos de assistência da igreja.
Júnio Gálio, muito cioso do seu cargo, sentou-se sob o olhar ansioso dos espectadores cheios de interesse.
O procônsul, de conformidade com a praxe, teria de ouvir as partes em litígio, antes de pronunciar qualquer julgamento, apesar das queixas e acusações exaradas em pergaminho.
Pelos judeus falaria um dos maiores da sinagoga, de nome Sóstenes; mas, como não aparecesse o representante da igreja de Corinto para a defesa do Apóstolo, a autoridade reclamou o cumprimento da medida sem perda de tempo. Paulo de Tarso, muito surpreendido, rogava intimamente a Jesus fosse o patrono de sua causa, quando se destacou um homem que se prontificava a depor em nome da Igreja. Era Tito Justo, o romano generoso, que não desprezava o ensejo do testemunho. Verificou-se, então, um fato inesperado. Os gregos da assembleia prorromperam em frenéticos aplausos.
Júnio Gálio determinou que os acusadores iniciassem as declarações públicas necessárias.
Sóstenes entrou a falar com grande aprovação dos judeus presentes. Acusava Paulo de blasfemo, desertor da Lei, feiticeiro. Referiu-se ao seu passado, acrimoniosamente. Contou que os próprios parentes o haviam abandonado. O procônsul ouvia atento, mas não deixou de manter uma atitude curiosa. Com o indicador da direita comprimia um ouvido, sem atender à estupefação geral. O maioral da sinagoga, no entanto, desconcertava-se com aquele gesto. Terminando o libelo apaixonado quanto injusto, Sóstenes interrogou o administrador da Acaia, relativamente à sua atitude, que exigia um esclarecimento, a fim de não ser tomada por desconsideração.
Gálio, porém, muito calmo, respondeu fazendo humorismo:
– Suponho não estar aqui para dar satisfação de meus atos pessoais e sim para atender aos imperativos da justiça. Mas, em obediência ao código da fraternidade humana, declaro que, a meu ver, todo administrador ou juiz em causa alheia deverá reservar um ouvido para a acusação e outro para a defesa.
Enquanto os judeus franziam o sobrecenho extremamente confundidos, os coríntios riam gostamente. O próprio Paulo achou muita graça na confissão do procônsul, sem poder disfarçar o sorriso bom que lhe iluminou repentinamente a fisionomia.
Passado o incidente humorístico, Tito Justo aproximou-se e falou sucintamente da missão do Apóstolo. Suas palavras obedeciam a largo sopro de inspiração e beleza espiritual. Júnio Gálio, ouvindo a história do convertido de Damasco, dos lábios de um compatrício, mostrou-se muito impressionado e comovido. De quando em vez, os gregos prorrompiam em exclamações de aplauso e contentamento. Os israelitas compreenderam que perdiam terreno de momento a momento.
Ao fim dos trabalhos, o chefe político da Acaia tomou a palavra para concluir que não via crime algum no discípulo do Evangelho; que os judeus deviam, antes de qualquer acusação injusta, examinar a obra generosa da igreja de Corinto, porquanto, na sua opinião, não havia agravo dos princípios israelitas; que a só controvérsia de palavras não justificava violências, concluindo pela frivolidade das acusações e declarando não desejar a função de juiz em assunto daquela natureza.
Cada conclusão formulada era ruidosamente aplaudida pelos coríntios.
Quando Júnio Gálio declarou que Paulo devia considerar-se em plena liberdade, os aplausos atingiram ao delírio. A autoridade recomendou que a retirada se fizesse em ordem; mas os gregos aguardaram a descida de Sóstenes, e quando surgiu a figura solene do “mestre” atacaram sem piedade. Estabelecido enorme tumulto na escada longa que separava o Tribunal da via pública, Tito Justo acercou-se aflito do procônsul e pediu que interviesse. Gálio, entretanto, continuando a preparar-se para regressar a casa, dirigiu a Paulo um olhar de simpatia e acrescentou, calmamente:
– Não nos preocupemos. Os judeus estão muito habituados a esses tumultos. Se eu, como juiz, resguardei um ouvido, parece-me que Sóstenes deveria resguardar o corpo inteiro, na qualidade de acusador. (...)
Extraído do livro "Paulo e Estêvão" (Capítulo VII – As Epístolas), de Francisco Cândido Xavier. Romance ditado por Emmanuel (episódios históricos do cristianismo primitivo). Publicado em 1941.





















