Mostrando postagens com marcador Violência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Violência. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de julho de 2015

terça-feira, 28 de abril de 2015

Era uma vez o gatilho mais rápido do soul

[...]
Uma noite Tim ligou nervoso para Tibério Gaspar; estavam tentando assaltá-lo. Um homem queria subir para lhe entregar um buquê de flores e tinha sido barrado pelo porteiro, mas ele e um comparsa continuavam rondando. Tim jamais ligaria para a polícia, ainda mais com tanta brizola e maconha pela casa, e implorou a Tibério que fosse para lá:
"E não é percepnoia não!”
Para enfatizar o perigo real, Tim usava a fusão de percepção com paranóia para o sentimento de pânico que se apossava dele com tanta frequência. Tibério estava cansado e achou que, como sempre, Tim só queria companhia. Disse que iria, como Tim dizia que compareceria aos shows. Cinco minutos depois, ele de novo no telefone, mais nervoso ainda, falando sério:
"Pelo amor de Deus, Tibério Gaspar, a coisa tá feia, mermão, vem me dar uma ajuda aqui.”
Por via das dúvidas, Tibério pôs no bolso um Smith & Wesson .32 e partiu para a Gávea. Parou o carro na esquina, passou em frente ao prédio como quem não quer nada e viu dois homens, um com um buquê de flores e outro encostado em um carro, com um terceiro sentado ao volante. Não era percepnoia mesmo. Tibério achou melhor ir correndo à 12ª DP e voltou com três tiras bem armados, que prenderam dois bandidos, um com uma 9 mm e outro com uma 765, mas não conseguiram impedir que o terceiro fugisse com o carro. No dia seguinte deu em O Dia, com a foto dos bandidos presos: "Assalto com flores.”
Tibério foi recebido por Tim como um herói, mas não só ficou em cativeiro até o dia clarear como teve a ideia pouco feliz de deixar o Smith & Wesson para que, na eventualidade de alguma ameaça, Tim se sentisse mais seguro. E o resto do mundo ameaçado.
De volta ao estúdio, Tim estava transtornado, não falava de outra coisa: "Como é que pode? A gente tá em casa e mesmo assim tá correndo risco.”
Falava um pouquinho da música e voltava ao assunto:
"Podiam ter me matado, por isso é que a pessoa tem que saber defesa pessoal, tem que se defender.”
Deixou a gravação por conta dos músicos e só fumava, bebia e refletia. Por volta de duas da manhã, tomando uísque num copinho de plástico, soltou a pérola oriental:
"Ô Gilsomendonça, o chinês é que é esperto. O chinês inventou o jiu-jítsu, o judô, foi misturando com caratê, artes marciais, defesa pessoal, e acabou inventando a pólvora. E depois fez logo o revólver, que ele não é maluco, mermão!”
Na sua primeira crise de percepnoia, Tim esvaziou o tambor do Smith & Wesson na sala e na mata. Era ali que estavam escondidos os caras que queriam assaltar sua casa e sequestrá-lo. Designou o cantor Paulo Bagunça, líder da banda Tropa Maldita, que morava na Cruzada São Sebastião, no Leblon, mas estava trabalhando com Tim, para vigiar a mata em frente à janela do quarto. E Edson Trindade, velho companheiro e bebum irrecuperável, hóspede do quarto de empregada, se encarregava da janela da sala.
"A moita mexeu, Paulo Bagunça?", perguntava de cinco em cinco minutos. "Mexeu alguma coisa aí, Edinho?”
Até que alguém se cansava e dizia que tinha visto alguma coisa mexendo, Tim disparava dois ou três tiros e o perigo estava conjurado.
Mesmo no quarto andar ele não se sentia seguro, achava que os meros três ou quatro metros que separavam a janela e a mata poderiam ser facilmente vencidos pelos bandidos. Seriam recebidos a bala, prometia o xerife do soul.
Alguns dias depois do assalto com flores, no fim da tarde, Tibério recebeu outro telefonema dramático. Bandidos estavam tentando invadir o apartamento de Tim por uma escada Magirus roubada dos bombeiros. Tibério disse que estava indo, mas, no estilo Maia, só trocou o canal da televisão e abriu mais uma cerveja.
Enquanto isso, na Rua Marquês de São Vicente, antes que fossem alvejados por Tim, apavorados funcionários da Light, que subiam por uma escada para consertar um transformador, acharam melhor descer correndo e dar um tempo.
Finalmente, algum amigo, ou quase, fez a cortesia de sumir com a arma, e o gatilho mais rápido do soul silenciou.
[...]

Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia, Nelson Motta (2006).  

terça-feira, 11 de março de 2014

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Forças Especiais de Taiwan: De meter medo!

Que tal o design da máscara do novo traje das Forças Especiais de Taiwan? Lembra o quê?! Mais detalhes no site japonês Digitaldj-Network  

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Arma, pra que te quero?

Transcrição: "Se queremos a paz, por que produzimos e consumimos armas? Também morre quem atira."

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Direita, volver!

"Presente" deixado na caixa de correspondência. Por acaso você também ganhou? 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O crime do delegado

Faz muitos e muitos anos, mas ainda neste século, deu-se um crime de sangue em Torres, violência que sacudiu de horror a pasmaceira do vilarejo.
Foi assim: um casal possuía um hotel na Rua de Baixo, e sendo muito bonita a esposa, provocou ela a atenção e logo a violenta paixão do delegado de polícia, o qual se viu correspondido, disto surgindo arriscados encontros amorosos, tudo naturalmente não escapando à bisbilhotice da população, que condenava o escândalo.
O marido tornou-se pois o estorvo natural àquele afeto doentio, sendo por isso condenado a morrer, pelo delegado amoroso, que induziu um dos seus soldados à execução do terrível projeto.
Em noite escura postou-se o praça atrás de arbustos no pátio do estabelecimento, em frente à porta da cozinha. Era aquele o momento em que o casal encerrava as lides hoteleiras e aproveitava para o sossegado jantar em comum.
O cenário estava armado: a noite, trevosa; a cozinha, fartamente iluminada pelo grande lampião; somente o nenê no colo do pai é que impossibilitava a bala fatal.
A esposa pedia a criança ao incauto marido e insistia, com pretexto ora de mudar a roupa do filhinho, ora de pô-lo na cama, e o pai, como que adivinhando, ainda mais se agarrava ao filho e mais o mimava.
Porém a maldade, vestida de mãe, venceu, e o inocente mudou de colo, instante mortal em que o tiro certeiro prostrou o inditoso hoteleiro.
O delegado de polícia, como era de sua obrigação, abriu o competente inquérito, mas, após muito procurar, na vila e nos arredores, encerrou as buscas, por não haver encontrado o matador.
José Antônio Picoral, natural da Colônia São Pedro, e que já tinha hotel em Torres, é que não aceitou a situação escandalosa do adultério e do assassínio, e por isso comunicou o grave fato ao arcebispo de Porto Alegre, o qual cientificou o chefe de polícia do Estado, e este logo despachou um delegado especial com três praças para Torres, com a finalidade única de descobrir o criminoso e prendê-lo.
Chegando ao seu destino, a autoridade policial imediatamente ficou sabendo o que todos sabiam; e depois de uns dias de trabalho, encerrou-o com o mesmo argumento do seu colega local, e assim o fez saber à população chocada: ele não encontrara elementos para dizer quem fora o matador do hoteleiro.
O que logo se tornou evidente ao delegado especial foi que, enquanto ele realizava as investigações, o torrense a cada instante inventava razões para se ausentar e sempre levando seus dois praças bem armados, sinal de que não se entregaria sem forte resistência armada. Mas as ausências até eram boas para a nova autoridade, que preferia resolver o caso com a ajuda da astúcia, conforme manifestara às autoridades locais, em segredo.
Havendo finalizado sua missão, o novo delegado anunciou insistentemente que não havia descoberto a autoria do assassínio e por isso ia-se despedir do povo do lugar no domingo, sendo-lhe então prometido um churrasco de bota-fora, à qual festa compareceu o assassino, recém chegado de uma de suas diligências.
O salão estava repleto de autoridades e convidados e depois de muita carne e muita cerveja, passados os discursos, vieram os abraços, sendo o delegado local um dos primeiros, e assim que ele pôs os braços no seu superior, este o agarrou com força e deu-lhe voz de prisão, enquanto os três soldados desarmavam o estupefato homem e o levavam dali diretamente para a cadeia.
O júri o condenou, juntamente com o executor e a adúltera co-autora, a penas de reclusão, que foram cumpridas na Casa de Correção, na Capital.
Consta que o casal de assassinos, após pagar a pena, juntou-se finalmente e abriu pequeno comércio em Porto Alegre; e deles, além desta notícia, nunca mais se soube nada, restando apenas algumas recordações do triste acontecimento na memória de pessoas idosas de hoje, talvez contemporâneas do fato, ou dele tendo somente ouvido falar, e do qual fazemos este registro sumário, já que é parte da rica microistória torrense.
A memória popular nunca deve ser desperdiçada, e foi num instante inspirado que ouvimos de antigos torrenses que o casal, mais o nenê, deixou finalmente a Capital e se radicou, ou na Vila São João ou no Passo de Torres, não se sabe ao certo, ali dirigindo pequeno negócio; e o que houve dali para diante nós deixamos aos novos pesquisadores a tarefa de o descobrir, pois afinal o delegado consta como sendo de família local, o que até pode facilitar o trabalho.
Remembranças de Torres – As Vivências de uma Comunidade (1996), de Guido Muri (1916-2010). 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

Fuga de Damasco

(...) Com júbilo indefinível abraçou o velho Ananias, pondo-o ao corrente de suas edificações espirituais. O respeitável ancião retribuiu-lhe o carinho com imensa bondade. Dessa vez, o ex-rabino não precisou insular-se numa pensão entre desconhecidos, porque os irmãos do “Caminho” lhe ofereceram franca e amorosa hospitalidade. Diariamente, repetia a emoção confortadora da primeira reunião a que comparecera, antes de recolher-se ao deserto. A pequena assembleia fraternal congregava-se todas as noites, trocando ideias novas sobre os ensinamentos do Cristo, comentando os acontecimentos mundanos à luz do Evangelho, permutando objetivos e conclusões. Saulo foi informado de todas as novidades atinentes à doutrina, experimentando os primeiros efeitos do choque entre os judeus e os amigos do Cristo, a propósito da circuncisão. Seu temperamento apaixonado percebeu a extensão da tarefa que lhe estava reservada. Os fariseus formalistas, da sinagoga, não mais se insurgiam contra as atividades do “Caminho”, desde que o seguidor de Jesus fosse, antes de tudo, fiel observador dos princípios de Moisés. Somente Ananias e alguns poucos perceberam a sutileza dos casuístas que provocavam deliberadamente a confusão em todos os setores, atrasando a marcha vitoriosa da Boa Nova redentora. O ex-doutor da Lei reconheceu que, na sua ausência, o processo de perseguição tomara-se mais perigoso e mais imperceptível, porquanto, às características cruéis, mas francas, do movimento inicial, sucediam as manifestações de hipocrisia farisaica, que, a pretexto de contemporização e benignidade, mergulhariam a personalidade de Jesus e a grandeza de suas lições divinas em criminoso e deliberado olvido. Coerente com as novas disposições do foro íntimo, não pretendia voltar à sinagoga de Damasco, para não parecer um mestre pretensioso a pugnar pela salvação de outrem, antes de cuidar do aperfeiçoamento próprio; mas, diante do que via e coligia com alto senso psicológico, compreendeu que era útil arrostar todas as consequências e demonstrar as disparidades do formalismo farisaico com o Evangelho: o que era a circuncisão e o que era a nova fé. Expondo a Ananias o projeto de fomentar a discussão em torno do assunto, o velhinho generoso estimulou-lhe os propósitos de restabelecer a verdade em seus legítimos fundamentos.

Para esse fim, no segundo sábado de sua permanência na cidade, o vigoroso pregador compareceu à sinagoga. Ninguém reconheceu o rabino de Tarso na sua túnica rafada, na epiderme tostada de sol, no rosto descarnado, no brilho mais vivo dos olhos profundos.
Terminada a leitura e a exposição regulamentares, franqueada a palavra aos sinceros estudiosos da religião, eis que o desconhecido galga a tribuna dos mestres de Israel e, buscando interessar a numerosa assistência, falou primeiramente do caráter sagrado da Lei de Moisés, detendo-se, apaixonado, nas promessas maravilhosas e sábias de Isaías, até que penetrou o estudo dos profetas. Os presentes escutavam-no com profunda atenção. Alguns se esforçavam por identificar aquela voz que lhes não parecia estranha. A pregação vibrante suscitava ilações de grande alcance e beleza. Imensa luz espiritual transbordava dos raptos altiloquentes.
Foi aí que o ex-rabino, conhecendo o poder magnético já exercido sobre o vultoso auditório, começou a falar do Messias Nazareno comparando sua vida, feitos e ensinamentos, com os textos que o anunciavam nas sagradas escrituras.
Quando abordava o problema da circuncisão, eis que a assembleia rompe em furiosa gritaria.
– É ele!... É o traidor!... clamavam os mais audaciosos, depois de identificar o ex-doutor de Jerusalém. – Pedra ao blasfemo!... É o bandido da seita do “Caminho”!...
Os chefes do serviço religioso, por sua vez, reconheceram o antigo companheiro, agora considerado trânsfuga da Lei, a quem se deviam impor castigos rudes e cruéis.
(...)
Após as fases mais agudas do tumulto, o arqui-sinagogo, tomando posição, determinou que o orador descesse da tribuna para responder ao seu interrogatório.
O convertido de Damasco compreendeu de relance toda a calma de que necessitava para sair-se com êxito daquela difícil aventura, e obedeceu de pronto, sem protestar.
– Sois Saulo de Tarso, antigo rabino em Jerusalém? – perguntou a autoridade com ênfase.
– Sim, pela graça do Cristo Jesus! – respondeu em tom firme e resoluto.
– Não vem ao caso referências quaisquer ao carpinteiro de Nazaré! Interessa-nos, tão-só, a vossa prisão imediata, de acordo com as instruções recebidas do Templo – explicou o judeu em atitude solene.
– Minha prisão? – interrogou Saulo admirado.
– Sim.
– Não vos reconheço o direito de efetuá-la – esclareceu o pregador.
Diante daquela atitude enérgica, houve um movimento de admiração geral.
– Por que relutais? O que só vos cumpre é obedecer.
Saulo de Tarso fixou-o com decisão, explicando:
– Nego-me porque, não obstante haver modificado minha concepção religiosa, sou doutor da Lei e, além disso, quanto à situação política, sou cidadão romano e não posso atender a ordens verbais de prisão.
– Mas estais preso em nome do Sinédrio.
– Onde o mandado?
A pergunta imprevista desnorteou a autoridade. Havia mais de dois anos, chegara de Jerusalém o documento oficial, mas ninguém podia prever aquela eventualidade. A ordem fora arquivada cuidadosamente, mas não podia ser exibida de pronto, como exigiam as circunstâncias.
– O pergaminho será apresentado dentro de poucas horas – acrescentou o chefe da sinagoga um tanto indeciso.
E como a justificar-se, acrescentava:
– Desde o escândalo da vossa última pregação em Damasco, temos ordem de Jerusalém para vos prender.
Saulo fixou-o com energia, e, voltando-se para a assembleia, que lhe observava a coragem moral, tomada de pasmo e admiração, disse alto e bom som:
– Varões de Israel, trouxe ao vosso coração o que possuía de melhor, mas rejeitais a verdade trocando-a pelas formalidades exteriores. Não vos condeno. Lastimo-vos, porque também fui assim como vós outros. Entretanto, chegada a minha hora, não recusei o auxílio generoso que o céu me oferecia. Lançais-me acusações, vituperais minhas atuais convicções religiosas; mas, qual de vós estaria disposto a discutir comigo? Onde o sincero lutador do campo espiritual que deseje sondar, em minha companhia, as santas escrituras?
Profundo silêncio seguiu-se ao repto.
– Ninguém? – perguntou o ardoroso artífice da nova fé, com um sorriso de triunfo.
Conheço-vos, porque também palmilhei esses caminhos. Entretanto, convenhamos em que o farisaísmo nos perdeu, atirando nossas esperanças mais sagradas num oceano de hipocrisias. Venerais Moisés na sinagoga; tendes excessivo cuidado com as fórmulas exteriores, mas qual a feição da vossa vida doméstica? Quantas dores ocultais sob a túnica brilhante! Quantas feridas dissimulais com palavras falaciosas! Como eu, devíeis sentir imenso tédio de tantas máscaras ignóbeis! Se fôssemos apontar os feitos criminosos que se praticam à sombra da Lei, não teríamos açoites para castigar os culpados; nem o número exato das maldições indispensáveis à pintura de semelhantes abominações! Padeci de vossas úlceras, envenenei-me também nas vossas trevas e vinha trazer-vos o remédio imprescindível. Recusais-me a cooperação fraterna; entretanto, em vão recalcitrais perante os processos regeneradores, porque somente Jesus poderá salvar-nos! Trouxe-vos o Evangelho, ofereço-vos a porta de redenção para nossas velhas mazelas e inda quereis compensar meus esforços com o cárcere e a maldição? Recuso-me a receber semelhantes valores em troca de minha iniciativa espontânea!... Não podereis prender-me, porque a palavra de Deus não está algemada. Se a rejeitais, outros me compreenderão. Não é justo abandonar-me aos vossos caprichos, quando o serviço, a fazer, me pede dedicação e boa-vontade.
Os próprios diretores da reunião pareciam dominados por forças magnéticas, poderosas e indefiníveis.
O moço tarsense passeou o olhar dominador sobre todos os presentes, revelando a rigidez do seu ânimo poderoso.
– Vosso silêncio fala mais que as palavras – concluiu quase com audácia.
– Jesus não vos permite a prisão do servo humilde e fiel. Que a sua bênção vos ilumine o espírito na verdadeira compreensão das realidades da vida.
Assim dizendo, caminhou resoluto para a porta de saída, enquanto o olhar assombrado da assembleia lhe acompanhava o vulto, até que, a passo firme, desapareceu em uma das ruas estreitas que desembocavam na grande praça.
Como se despertasse, após o audacioso desafio, a reunião degenerou em acaloradas discussões. O arqui-sinagogo, que parecia sumamente impressionado com as declarações do ex-rabino, não ocultava a indecisão, relutando entre as verdades amargas de Saulo e a ordem de prisão imediata. Os companheiros mais enérgicos procuraram levantar-lhe o espírito de autoridade. Era preciso prender o atrevido orador a qualquer preço. Os mais decididos puseram-se à procura imediata do pergaminho de Jerusalém e, logo que o encontraram, resolveram pedir auxílio às autoridades civis, promovendo diligências. Daí a três horas, todas as medidas para a prisão do audacioso pregador estavam assentadas. Os primeiros contingentes foram movimentados às portas da cidade. Em cada uma postou-se pequeno grupo de fariseus, secundados por dois soldados, a fim de burlarem qualquer tentativa de evasão.
Em seguida, iniciaram a devassa em bloco, na residência de todas as pessoas suspeitas de simpatia e relações com os discípulos do Nazareno.
Saulo, por sua vez, afastando-se da sinagoga, procurou avistar-se com Ananias, ansioso da sua palavra amorosa e conselheira.
O sábio velhinho ouviu a narração do acontecido, aprovando-lhe as atitudes.
– Sei que o Mestre – dizia o moço por fim – condenou as contendas e jamais andou entre os discutidores; mas, também, jamais contemporizou com o mal. Estou pronto a reparar meu passado de culpas. Afrontarei as incompreensões de Jerusalém, a fim de patentear minha transformação radical. (...)
O bondoso ancião acompanhava-lhe as palavras com sinais afirmativos. Depois de confortá-lo com a sua aprovação, recomendou-lhe a maior prudência. Seria razoável afastar-se quanto antes dali, do seu tugúrio. Os judeus de Damasco conheciam a parte que tivera na sua cura. Por causa disso, muita vez lhes suportara as injúrias e remoques. Certo, procurá-lo-iam, ali, para prendê-lo. Assim, era de opinião que se recolhesse à casa da consóror lavadeira, onde costumavam orar e estudar o Evangelho. Ela saberia acolhê-lo com bondade.
Saulo atendeu ao conselho sem hesitar.
Daí a três horas, o velho Ananias era procurado e interpelado. Atenta a sua conduta discreta, foi recolhido ao cárcere para ulteriores averiguações.
O fato é que, inquirido pela autoridade religiosa, apenas respondia:
– Saulo deve estar com Jesus.
Nos seus escrúpulos de consciência, o generoso velhinho entendia que, desse modo, não mentia aos homens nem comprometia um amigo fiel. Depois de preso e incomunicável 24 horas, deram-lhe liberdade após receber castigos dolorosos. A aplicação de vinte bastonadas deixara-lhe o rosto e as mãos gravemente feridos. Contudo, logo que se viu livre, esperou a noite e, cautelosamente, encaminhou-se à choupana humilde onde se realizavam as prédicas do “Caminho”. Reencontrando-se com o amigo, expôs-lhe o plano que vinha remediar a situação.
– Quando criança – exclamou Ananias prazeroso – assisti à fuga de um homem sobre os muros de Jerusalém.
E como se recapitulasse os pormenores do fato, na memória cansada, perguntou:
– Saulo, terias medo de fugir num cesto de vime?
– Por quê? – disse o moço sorridente – Moisés não começou a vida num cesto sobre as águas?
O velho achou graça na alusão e esclareceu o projeto. Não muito longe dali, havia grandes árvores junto dos muros da cidade. Alçariam o fugitivo num grande cesto, e depois, com insignificantes movimentos, ele poderia descer do outro lado, em condições de encetar a viagem para Jerusalém, conforme pretendia. O ex-rabino experimentou imensa alegria. Na mesma hora, a dona da casa foi buscar o concurso dos três irmãos de mais confiança. E quando o céu se fez mais sombrio, depois das primeiras horas da meia-noite, um pequeno grupo se reunia junto a muralha, em ponto mais distante do centro da cidade. Saulo beijou as mãos de Ananias, quase com lágrimas. Despediu-se em voz baixa dos amigos, enquanto um lhe entregava volumoso pacote de bolos de cevada. Na copa da árvore frondosa e escura, o mais jovem esperava o sinal, o moço tarsense entrou na sua embarcação improvisada e a evasão se deu no âmbito silencioso da noite.
(...)
Aos primeiros raios de sol, o fugitivo ia longe. Levava consigo os bolos de cevada como única provisão, e o Evangelho presenteado por Gamaliel como lembrança de tanto tempo de solidão e de luta. (...)
Extraído do livro "Paulo e Estêvão" (Capítulo III – Lutas e humilhações), de Francisco Cândido Xavier. Romance ditado por Emmanuel (episódios históricos do cristianismo primitivo). Publicado em 1941. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Mapa do Tesouro

(...) Na segunda noite acomodaram-se em pequena caverna, algo distante do trilho estreito, logo após os derradeiros tons do crepúsculo. Depois de frugalíssima refeição, passaram a comentar animadamente os feitos da igreja de Jerusalém. Noite fechada e ainda suas vozes quebravam o grande silêncio.
Desdobrando os assuntos, passaram a falar das excelências do Evangelho, exaltando a grandeza da missão de Jesus-Cristo.
– Se os homens soubessem... – dizia Barnabé fazendo comparações.
– Todos se reuniriam em torno do Senhor e descansariam – rematava Paulo cheio de convicção.
– Ele é o Príncipe que reinará sobre todos.
– Ninguém trouxe a este mundo riqueza maior.
– Ah! comentava o discípulo de Simão Pedro – o tesouro de que foi mensageiro engrandecerá a Terra para sempre.
E assim prosseguiam, valendo-se de preciosas imagens da vida comum para simbolizar os bens eternos, quando singular movimento lhes despertou atenção. Dois homens armados precipitaram-se sobre ambos, à fraca luz de uma tocha acesa em resinas.
– A bolsa! – gritou um dos malfeitores.
Barnabé empalideceu ligeiramente, mas Paulo estava sereno e impassível.
– Entreguem o que têm ou morrem – exclamou o outro bandido, alçando o punhal.
Olhando fixamente o companheiro, o ex-rabino ordenou:
– Dá-lhes o dinheiro que resta, Deus suprirá nossas necessidades de outro modo.
Barnabé esvaziou a bolsa que trazia entre as dobras da túnica, enquanto os malfeitores recolhiam, ávidos, a pequena quantia.
Reparando nos pergaminhos do Evangelho que os missionários consultavam à luz da tocha improvisada, um dos ladrões interrogou desconfiado e irônico:
– Que documentos são esses? Faláveis de um príncipe opulento... Ouvimos referências a um tesouro... Que significa tudo isso?
Com admirável presença de espírito, Paulo explicou:
– Sim, de fato estes pergaminhos são o roteiro do imenso tesouro que nos trouxe o Cristo Jesus, que há de reinar sobre os príncipes da Terra.
Um dos bandidos, grandemente interessado, examinou o rolo das anotações de Levi.
– Quem encontrar esse tesouro – prosseguia Paulo, resoluto –, nunca mais sentirá necessidades.
Os ladrões guardaram o Evangelho cuidadosamente.
– Agradecei a Deus não vos tirarmos a vida – disse um deles.
E apagando a tocha bruxuleante, desapareceram na escuridão da noite.
Quando se viram a sós, Barnabé não conseguiu dissimular o assombro.
– E agora? – perguntou com voz trêmula.
– A missão continua bem – glosou Paulo cheio de bom ânimo –, não contávamos com a excelente oportunidade de transmitir a Boa Nova aos ladrões.
O discípulo de Pedro, admirando-se de tamanha serenidade, voltou a dizer:
– Mas, levaram-nos, também, os derradeiros pães de cevada, bem como as capas...
– Haverá sempre alguma fruta na estrada – esclarecia Paulo, decidido – e, quanto às coberturas, não tenhamos maior cuidado, pois não nos faltará o musgo das árvores.
E, desejoso de tranquilizar o companheiro, acrescentava:
– De fato, não temos mais dinheiro, mas julgo não será difícil conseguir trabalho com os tapeceiros de Antioquia de Pisídia. Além disso, a região está muito distante dos grandes centros e posso levar certas novidades aos colegas do ofício. Esta circunstância será vantajosa para nós.
Depois de tecerem esperanças novas, dormiram ao relento, sonhando com as alegrias do Reino de Deus.
No dia seguinte, Barnabé continuava preocupado. Interpelado pelo companheiro, confessou compungido:
– Estou resignado com a carência absoluta de recursos materiais, mas não posso esquecer que nos subtrairam também as anotações evangélicas que possuíamos. Como recomeçar nossa tarefa? Se temos de cor grande parte dos ensinamentos, não poderemos conferir todas as expressões...
Paulo, todavia, fez um gesto significativo e, desabotoando a túnica, retirou alguma coisa que guardava junto do coração.
– Enganas-te, Barnabé – disse com um sorriso otimista –, tenho aqui o Evangelho que me recorda a bondade de Gamaliel. Foi um presente de Simão Pedro ao meu velho mentor, que, por sua vez, mo deu pouco antes de morrer.
O missionário de Chipre apertou nas mãos o tesouro do Cristo. O júbilo voltou a iluminar-lhe o coração. Poderiam dispensar todo o conforto do mundo, mas a palavra de Jesus era imprescindível. (...)
Extraído do livro "Paulo e Estêvão" (Capítulo IV – Primeiros labores apostólicos), de Francisco Cândido Xavier. Romance ditado por Emmanuel (episódios históricos do cristianismo primitivo). Publicado em 1941. 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Um ouvido para a acusação e outro para a defesa

(...) Irritados com o êxito inexcedível do empreendimento de Paulo de Tarso, que se demorava na cidade já por um ano e seis meses, tendo fundado um verdadeiro e perfeito abrigo para os “filhos do Calvário”, os judeus de Corinto tramaram um movimento terrível de perseguição ao Apóstolo. A sinagoga esvaziava-se. Era necessário extinguir a causa do seu desprestígio social. O ex-rabino de Jerusalém pagaria muito caro a audácia da propaganda do Messias Nazareno em detrimento de Moisés.

Era procônsul da Acaia, com residência em Corinto, um romano generoso e ilustre, que costumava agir sempre de acordo com a justiça, em sua vida pública. Irmão de Sêneca, Júnio Gálio era homem de grande bondade e fina educação. O processo iniciado contra o ex-rabino foi às suas mãos, sem que Paulo tivesse a mínima notícia e era tão grande a bagagem de acusações levantadas pelos israelitas, que o administrador foi compelido a determinar a prisão do Apóstolo para o inquérito inicial. A sinagoga pediu, com particular empenho, que lhe fosse delegada a tarefa de conduzir o acusado ao tribunal. Longe de conhecer o móvel do pedido, o procônsul concedeu a permissão necessária, determinando o comparecimento dos interessados à audiência pública do dia seguinte.

De posse da ordem, os israelitas mais exaltados deliberaram prender Paulo na véspera, num momento em que o fato pudesse escandalizar toda a comunidade.

À noite, justamente quando o ex-rabino comentava o Evangelho, tomado de profundas inspirações, o grupo armado parou à porta, destacando-se alguns judeus mais eminentes que se dirigiram ao interior.

Paulo ouviu a voz de prisão, com extrema serenidade. Outro tanto, porém, não aconteceu com a assembleia. Houve grande tumulto no recinto. Alguns moços mais exaltados apagaram as tochas, mas o Apóstolo valoroso, num apelo solene e comovedor, bradou alto:

– Irmãos, acaso quereis o Cristo sem testemunho?

A pergunta ressoou no ambiente, contendo todos os ânimos. Sempre sereno, o ex-rabino ordenou que acendessem as luzes e, estendendo os pulsos para os judeus admirados, disse com acento inesquecível:

– Estou pronto!...

Um componente do grupo, despeitado com aquela superioridade espiritual, avançou e deu-lhe com os açoites em pleno rosto.

Alguns cristãos protestaram, os portadores da ordem de Gálio revidaram com aspereza, mas o prisioneiro, sem demonstrar a mais leve revolta, clamou em voz mais alta:

– Irmãos, regozijemo-nos em Cristo Jesus. Estejamos tranquilos e jubilosos porque o Senhor nos julgou dignos!...

Grande serenidade estabeleceu-se, então, na assembleia. Várias mulheres soluçavam baixinho. Áquila e a esposa dirigiram ao Apóstolo um inolvidável olhar e a pequena caravana demandou o cárcere, na sombra da noite. Atirado ao fundo de uma enxovia úmida, Paulo foi atado ao tronco do suplício e houve de suportar a flagelação dos trinta e nove açoites. Ele próprio estava surpreendido. Sublime paz banhava-lhe o coração de brandos consolos. Não obstante sentir-se sozinho, entre perseguidores cruéis, experimentava nova confiança no Cristo. Nessas disposições, não lhe doíam as vergastadas impiedosas; debalde os verdugos espicaçavam-lhe o espírito ardente, com insultos e ironias. Na prova rude e dolorosa, compreendeu, alegremente, que havia atingido a região de paz divina, no mundo interior, que Deus concede a seus filhos depois das lutas acerbas e incessantes por eles mantidas na conquista de si mesmos. De outras vezes, o amor pela justiça o conduzira a situações apaixonadas, a desejos mal contidos, a polêmicas ríspidas; mas ali, enfrentando os açoites que lhe caíam nos ombros seminus, abrindo sulcos sangrentos, tinha uma lembrança mais viva do Cristo, a impressão de estar chegando aos seus braços misericordiosos, depois de caminhadas terríveis e ásperas, desde a hora em que havia caído às portas de Damasco, sob uma tempestade de lágrimas e trevas. Submerso em pensamentos sublimes, Paulo de Tarso sentiu o seu primeiro grande êxtase. Não mais ouviu os sarcasmos dos algozes inflexíveis, sentiu que sua alma dilatava-se ao infinito, experimentando sagradas emoções de indefinível ventura. Brando sono lhe anestesiou o coração e, somente pela madrugada, voltou a si do caricioso descanso. O sol visitava-o alegre, através das grades. O valoroso discípulo do Evangelho levantou-se bem disposto, recompôs as vestes e esperou pacientemente.

Só depois do meio-dia, três soldados desceram ao cárcere das disciplinas judaicas, retirando o prisioneiro para conduzi-lo à presença do procônsul.

Paulo compareceu à barra do tribunal, com imensa serenidade. O recinto estava cheio de israelitas exaltados; mas o Apóstolo, notou que a assembleia se compunha, na maioria, de gregos de fisionomia simpática, muitos deles seus conhecidos pessoais dos trabalhos de assistência da igreja.

Júnio Gálio, muito cioso do seu cargo, sentou-se sob o olhar ansioso dos espectadores cheios de interesse.

O procônsul, de conformidade com a praxe, teria de ouvir as partes em litígio, antes de pronunciar qualquer julgamento, apesar das queixas e acusações exaradas em pergaminho.

Pelos judeus falaria um dos maiores da sinagoga, de nome Sóstenes; mas, como não aparecesse o representante da igreja de Corinto para a defesa do Apóstolo, a autoridade reclamou o cumprimento da medida sem perda de tempo. Paulo de Tarso, muito surpreendido, rogava intimamente a Jesus fosse o patrono de sua causa, quando se destacou um homem que se prontificava a depor em nome da Igreja. Era Tito Justo, o romano generoso, que não desprezava o ensejo do testemunho. Verificou-se, então, um fato inesperado. Os gregos da assembleia prorromperam em frenéticos aplausos.

Júnio Gálio determinou que os acusadores iniciassem as declarações públicas necessárias.

Sóstenes entrou a falar com grande aprovação dos judeus presentes. Acusava Paulo de blasfemo, desertor da Lei, feiticeiro. Referiu-se ao seu passado, acrimoniosamente. Contou que os próprios parentes o haviam abandonado. O procônsul ouvia atento, mas não deixou de manter uma atitude curiosa. Com o indicador da direita comprimia um ouvido, sem atender à estupefação geral. O maioral da sinagoga, no entanto, desconcertava-se com aquele gesto. Terminando o libelo apaixonado quanto injusto, Sóstenes interrogou o administrador da Acaia, relativamente à sua atitude, que exigia um esclarecimento, a fim de não ser tomada por desconsideração.

Gálio, porém, muito calmo, respondeu fazendo humorismo:

– Suponho não estar aqui para dar satisfação de meus atos pessoais e sim para atender aos imperativos da justiça. Mas, em obediência ao código da fraternidade humana, declaro que, a meu ver, todo administrador ou juiz em causa alheia deverá reservar um ouvido para a acusação e outro para a defesa.

Enquanto os judeus franziam o sobrecenho extremamente confundidos, os coríntios riam gostamente. O próprio Paulo achou muita graça na confissão do procônsul, sem poder disfarçar o sorriso bom que lhe iluminou repentinamente a fisionomia.

Passado o incidente humorístico, Tito Justo aproximou-se e falou sucintamente da missão do Apóstolo. Suas palavras obedeciam a largo sopro de inspiração e beleza espiritual. Júnio Gálio, ouvindo a história do convertido de Damasco, dos lábios de um compatrício, mostrou-se muito impressionado e comovido. De quando em vez, os gregos prorrompiam em exclamações de aplauso e contentamento. Os israelitas compreenderam que perdiam terreno de momento a momento.

Ao fim dos trabalhos, o chefe político da Acaia tomou a palavra para concluir que não via crime algum no discípulo do Evangelho; que os judeus deviam, antes de qualquer acusação injusta, examinar a obra generosa da igreja de Corinto, porquanto, na sua opinião, não havia agravo dos princípios israelitas; que a só controvérsia de palavras não justificava violências, concluindo pela frivolidade das acusações e declarando não desejar a função de juiz em assunto daquela natureza.

Cada conclusão formulada era ruidosamente aplaudida pelos coríntios.

Quando Júnio Gálio declarou que Paulo devia considerar-se em plena liberdade, os aplausos atingiram ao delírio. A autoridade recomendou que a retirada se fizesse em ordem; mas os gregos aguardaram a descida de Sóstenes, e quando surgiu a figura solene do “mestre” atacaram sem piedade. Estabelecido enorme tumulto na escada longa que separava o Tribunal da via pública, Tito Justo acercou-se aflito do procônsul e pediu que interviesse. Gálio, entretanto, continuando a preparar-se para regressar a casa, dirigiu a Paulo um olhar de simpatia e acrescentou, calmamente:

– Não nos preocupemos. Os judeus estão muito habituados a esses tumultos. Se eu, como juiz, resguardei um ouvido, parece-me que Sóstenes deveria resguardar o corpo inteiro, na qualidade de acusador. (...)

Extraído do livro "Paulo e Estêvão" (Capítulo VII – As Epístolas), de Francisco Cândido Xavier. Romance ditado por Emmanuel (episódios históricos do cristianismo primitivo). Publicado em 1941.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

De zona do agrião à zona do ladrão

Morro Santana: 1985 e 2005
Chácara da Fumaça, 1985 – A rotina do lugar mudou muito. Os políticos até mudaram o nome: "Mario Quintana". Afinal, tratava-se de um novo bairro. E, no morro não houve mudança. Por enquanto! 
Mario Quintana, 2005 – Um dos lugares de maior índice de violência em Porto Alegre. Pensando bem, o nome original – Chácara da Fumaça – combinaria muito mais com a realidade atual...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Arma, pra que te quero?

Transcrição: "Se queremos a paz, por que produzimos e consumimos armas? Também morre quem atira."