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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

terça-feira, 17 de junho de 2014

quarta-feira, 26 de junho de 2013

"O único que tá botando a boca no trombone é o Romário!" Anônimo

 "NA FALA DO POVO @ Consciências à flor da pele. Apenas um exemplo entre milhões. Compartilho por me identificar com o que ele diz." Juarez Fonseca (Copiado do Facebook) 
URL do vídeo: youtu.be/OBkqZNTqI9o 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Direita, volver!

"Presente" deixado na caixa de correspondência. Por acaso você também ganhou? 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Lixo no rio

Uma das charges feita, em 2012, para livro do ensino fundamental. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A Árvore da Paz

Arroio Dilúvio, Porto Alegre 2003 – "Árvore da Paz"
Objeto de um trabalho de estudantes, ela foi pintada de branco
e cercada com uma tela para fixar as mensagens. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Valores #2

- Guy, why school transport is not shielded? 
- Well, because do not carry valuable things! 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

As cores do Êxodo Rural

Colorização de uma ilustração sobre êxodo rural, feita para a matéria de Geografia do material didático de ensino fundamental, intitulado "Coleção Rede Zatti" – www.zattieditora.com.br. Clique aqui para ver o original, feito em nanquim. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Educação, onde?

"A maior de todas as discriminações é a omissão, representada pela falta de políticas públicas afirmativas, direcionadas ao povo negro e indígena." – dizem. E o que esperar da corja que trata a educação desse jeito? 

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Download de vírus



Charge desenvolvida em parceria com o Ético Sistema de Ensino, especialmente para o material didático de Ciências.  

terça-feira, 20 de abril de 2010

A extinção é para sempre

Ilustração de um fôlder da Fundação Zoobotânica do RS sobre a ameaça de extinção do papagaio-charão e do papagaio-de-peito-roxo: "Sem eles a Natureza fica um pouco mais muda, o homem um pouco mais só". As causas do seu fim são as mesmas de hoje: destruição da mata nativa, drenagem de banhados, transformação dos campos em lavouras, ação dos agrotóxicos, poluição ambiental, a caça criminosa e a captura em grande escala. Pois acontece que, atraídas pelo seu belo colorido, pela algazarra que fazem, facilidade de imitar sons e por ser dócil e de fácil sobrevida em cativeiro, algumas pessoas fazem com que as aves paguem pelo sério tributo de servir como animal de estimação. Estas belas aves ocorriam no sul do Brasil e países vizinhos, e hoje, no sul de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul. E o tema da ilustração, "Matar, capturar ou observar as aves", foi um incentivo para a criação de clubes de observadores de pássaros. 

quinta-feira, 1 de abril de 2010

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Chuva Ácida – Uma questão vital

Você concorda com o que falou o personagem? [Charge feita para material didático de Ciências] 

domingo, 2 de agosto de 2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Pobre rico

Em nenhum outro país os ricos demonstraram mais ostentação que no Brasil. Apesar disso, os brasileiros ricos são pobres. São pobres porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos ônibus de subúrbio. E, às vezes, são assaltados, seqüestrados ou mortos nos sinais de trânsito. Presenteiam belos carros a seus filhos e não voltam a dormir tranqüilos enquanto eles não chegam em casa. Pagam fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por arquitetos de renome, e são obrigados a escondê-las atrás de muralhas, como se vivessem nos tempos dos castelos medievais, dependendo de guardas que se revezam em turnos.

Os ricos brasileiros usufruem privadamente tudo o que a riqueza lhes oferece, mas vivem encalacrados na pobreza social. Na sexta-feira, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não conseguiriam freqüentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que ali por perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando terminam de comer escondidos, são obrigados a tomar o carro à porta, trazido por um manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um cinema ou teatro, depois continuar até um bar para conversar sobre o que viram.

Mesmo assim, não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de terminar o jantar, ou depois, na estrada a caminho de casa. Felizmente isso nem sempre acontece, mas certamente, a viagem é um susto durante todo o caminho. E, às vezes, o sobressalto continua, mesmo dentro de casa.

Os ricos brasileiros são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem no presente, são pobres na falta de segurança para usufruir o patrimônio no futuro. E vivem no susto permanente diante das incertezas em que os filhos crescerão. Os ricos brasileiros continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocam: em insegurança e ineficiência.

No lugar de usufruir tudo aquilo com que gastam, uma parte considerável do dinheiro nada adquire, serve apenas para evitar perdas. Por causa da pobreza ao redor, os brasileiros ricos vivem um paradoxo: para ficarem mais ricos têm de perder dinheiro, gastando cada vez mais apenas para se proteger da realidade hostil e ineficiente. Quando viajam ao exterior, os ricos sabem que no hotel onde se hospedarão serão vistos como assassinos de crianças na Candelária, destruidores da Floresta Amazônica, usurpadores da maior concentração de renda do planeta, portadores de malária, de dengue e de verminoses. São ricos empobrecidos pela vergonha que sentem ao serem vistos pelos olhos estrangeiros.

Na verdade, a maior pobreza dos ricos brasileiros está na incapacidade de verem a riqueza que há nos pobres. Foi esta pobreza de visão que impediu os ricos brasileiros de perceberem, cem anos atrás, a riqueza que havia nos braços dos escravos libertos se lhes fosse dado direito de trabalhar a imensa quantidade de terra ociosa de que o país dispunha. Se tivesse percebido essa riqueza e libertado a terra junto com os escravos, os ricos brasileiros teriam abolido a pobreza que os acompanha ao longo de mais de um século. Se os latifúndios tivessem sido colocados à disposição dos braços dos ex-escravos, a riqueza criada teria chegado aos ricos de hoje, que viveriam em cidades sem o peso da imigração descontrolada e com uma população sem miséria.

A pobreza de visão dos ricos impediu também de verem a riqueza que há na cabeça de um povo educado. Ao longo de toda a nossa história, os nossos ricos abandonaram a educação do povo, desviaram os recursos para criar a riqueza que seria só deles, e ficaram pobres: contratam trabalhadores com baixa produtividade, investem em modernos equipamentos e não encontram quem os saiba manejar, vivem rodeados de compatriotas que não sabem ler o mundo ao redor, não sabem mudar o mundo, não sabem construir um novo país que beneficie a todos. Muito mais ricos seriam os ricos se vivessem em uma sociedade onde todos fossem educados.

Para poderem usar os seus caros automóveis, os ricos construíram viadutos com dinheiro de colocar água e esgoto nas cidades, achando que, ao comprar água mineral, se protegiam das doenças dos pobres. Esqueceram-se de que precisam desses pobres e não podem contar com eles todos os dias e com toda saúde, porque eles (os pobres) vivem sem água e sem esgoto. Montam modernos hospitais, mas tem dificuldades em evitar infecções porque os pobres trazem de casa os germes que os contaminam. Com a pobreza de achar que poderiam ficar ricos sozinhos, construíram um país doente e vivem no meio da doença.

Há um grave quadro de pobreza entre os ricos brasileiros. E esta pobreza é tão grave que a maior parte deles não percebe. Por isso a pobreza de espírito tem sido o maior inspirador das decisões governamentais das pobres ricas elites brasileiras. Se percebessem a riqueza potencial que há nos braços e nos cérebros dos pobres, os ricos brasileiros poderiam reorientar o modelo de desenvolvimento em direção aos interesses de nossas massas populares. Liberariam a terra para os trabalhadores rurais, realizariam um programa de construção de casas e implantação de redes de água e esgoto, contratariam centenas de milhares de professores e colocariam o povo para produzir para o próprio povo. Esta seria uma decisão que enriqueceria o Brasil inteiro – os pobres que sairiam da pobreza e os ricos que sairiam da vergonha, da insegurança e da insensatez.

Mas isso é esperar demais. Os ricos são tão pobres que não percebem a triste pobreza em que usufruem suas malditas riquezas. 


Cristovam Buarque, professor da Universidade de Brasília e senador pelo PDT/DF — Escrito em 2001.